TEMA DO ANO 2020

 

Tema do ano 2020/2021

apresentado no Congresso Internacional de Agricultura Biodinâmica

Respirar com a crise climática ecologicamente – Socialmente – Espiritualmente

As alterações climáticas são uma realidade. Nós as experienciamos nas nossas quintas. Quem trabalha com a Natureza tem de fazer frente, hoje em dia, a situações climáticas extremas. Enfrentamos muitas culturas falhadas ou solos arrastados por chuvas fortes. Cuidar de animais pode ser como andar sobre uma corda frouxa se os pastos secam. Os níveis freáticos descem, as fontes secam, os bosques estão salpicados de árvores mortas.

Alterações climáticas? Durante anos perguntámo-nos se isto é uma alteração no clima ou simplesmente um clima extremo. Está tudo exagerado? O computador simula previsões realmente verdadeiras? Talvez sim ou talvez não. Mas o facto é que agora estamos afectados. Somos cada vez mais conscientes de como a atmosfera está intimamente ligada a todo o organismo da Terra. Acima da camada de húmus terroso, as capas de ar e de calor da Terra respiram. Ninguém mudou nada aí deliberadamente. As alterações climáticas parecem acercarem-se de nós vindas de fora. A periferia, de que nem sequer éramos conscientes, diz-nos: Olá, despertem!

De quem é esta voz? É realmente nossa? Sentimos que não somos somente indivíduos isolados na Terra. Também existimos além deste ponto, a periferia pertence-nos. Temos, por assim dizer, um Eu periférico. Esta é uma experiência em dois passos. Em primeiro lugar, também existo na periferia, de maneira que, junto com os outros, formamos a raça humana sem distinção de cultura, língua ou origem. Em segundo lugar sou responsável, somos responsáveis pelo “todo”. Está isto certo?

Despertar para este conhecimento é um choque. Faz realmente sentido estar nesta Terra, pode ela realmente suportar a minha pegada? E para os jovens do clima, as alterações climáticas converteram-se em crise climática e exigem mudanças no sistema.

Chegámos a um conceito ampliado de mudança que se nos exige: as alterações climáticas na dimensão ambiental, na dimensão social e na dimensão espiritual. Como podemos recuperar alento nestas três dimensões: um alento refrescante na Terra, um alento de confiança na sociedade, um alento libertador como ser humano individual?

As alterações climáticas num sentido ambiental significam que devemos tratar dos recursos da Terra de maneira diferente, devemos entender o organismo agrícola não só a partir do interior, mas também desde fora, da questão climática, de uma visão do organismo vivo da Terra. Como podemos capturar o excesso de carbono na atmosfera nos ciclos de vida das nossas quintas?

As alterações climáticas num sentido social significam que o clima social em muitos países está num ponto de ruptura tal como está na comunidade internacional. Qual o caminho a seguir na Bolívia, Chile, Líbano, Hong Kong, Inglaterra, França…e em todas as partes, nas nossas comunidades? Como podemos chegar a formas sociais orientadas para o futuro onde a comunidade possa manter a dignidade humana de cada indivíduo?

Compreender as alterações climáticas num sentido espiritual significa desenvolver uma nova experiência do “Eu”. O “Eu” não está completo, mas continua em desenvolvimento. E isto acontece num diálogo. Num diálogo com outro Eu, com o mundo, com o seu próprio Eu superior. Como um ser entre seres. Não como um Ego. Como podemos chegar a um clima espiritual que permita a qualquer pessoa em diálogo com o mundo, crescer além de si mesma?

 

A Secção de Agricultura e a Secção de Juventude organizam em conjunto ao Congresso Agrícola 2021. Está planeado como um congresso sobre a Terra, o Clima, a Cultura. O Congresso terá lugar no primeiro semestre de 2021. As datas exactas serão anunciadas brevemente.

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *